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Onip lança dez diretrizes para evitar gargalos no setor de petróleo

 
Prevendo investimentos de US$ 400 bilhões na área de exploração de petróleo no mar (offshore) nos próximos dez anos, a Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip) lançou ontem uma cartilha com dez diretrizes que apontam soluções para evitar que gargalos existentes no setor comprometam este cenário otimista. “O pré-sal é o fato novo, é o que dá condições de um salto para a indústria nacional. Se os gargalos forem sanados temos condições de ampliar em cinco vezes a previsão de geração de empregos neste período, de 400 mil empregos”, disse Bruno Musso, superintendente da Onip.

A agenda contendo as diretrizes para o setor de petróleo lançada pela Onip tem como base estudo encomendado à consultoria Booz & Company, que identifica os entraves e apresenta as soluções para que o País potencialize os benefícios gerados pelo grande volume de encomendas de bens e serviços a serem demandados para a exploração do pré-sal e do pós-sal.

“Apesar de muito se falar em pré-sal, é preciso destacar que nos próximos cinco anos pelo menos, o pós-sal ainda domina os nossos investimentos. Até acredito que isso deva se inverter depois disso, mas hoje o pré-sal é menos da metade do que o pós-sal”, disse o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, presente ao evento.

Indagado sobre a capacidade da indústria nacional atender à demanda da Petrobras, Gabrielli ressaltou que ela “está se capacitando, está se preparando para isso”. “A indústria está saindo do primeiro elo da cadeia para o segundo elo”, destacou. Para Gabrielli, o estudo da Onip mostra que “apesar dos problemas, há mais soluções do que dificuldades. As soluções mostram que podemos ter mais do que dobrados os investimentos e a geração de empregos”, disse.

Gabrielli também destacou a importância do conteúdo nacional na área de refino. “É importante lembrar que além da fase exploratória, demos um salto de investimento no refino, de US$ 200 milhões no ano de 2002 para US$ 200 milhões mensais hoje. Nesta área temos um conteúdo nacional muito maior. E muitas vezes as pessoas não se dão conta de que determinada tinta ou qualquer equipamento genérico contratado vai para a área de petróleo e não para outra finalidade qualquer”, disse.

Durante a apresentação do estudo o superintendente da Onip destacou que a indústria nacional já vem sofrendo diretamente com a competição de empresas estrangeiras, mas ressaltou a importância de os investidores buscarem mercado também fora do país. “Nós brasileiros estamos sofrendo competição no mercado interno, mas também temos que avançar e buscar mercados externos, especialmente regionais, onde podemos apresentar vantagens”, disse Musso.

As dez políticas apresentadas pela Onip para o setor são, segundo a ordem de apresentação: 1) Gerar e disseminar conhecimento e inovação ao longo da cadeia; 2) Incrementar a produtividade e aprimorar processos da produção local; 3) Fortalecer atividades industriais em três a cinco polos produtivos; 4) Estimular a formação de centros de excelência tecnológica nos polos produtivos; 5) Simplificar e aumentar a transparência das políticas de conteúdo local; 6) Fortalecer o sistema empresarial nacional e sua atuação internacional; 7) Atrair tecnologia e investimento de empresas internacionais; 8) Garantir isonomia tributária, técnica e comercial entre competidores externos e locais; 9) Estabelecer condições de financiamento e garantias competitivas internacionalmente e por fim 10) Acessar matéria-prima, insumos e infraestrutura em condições competitivas.

Ao comentar os dez pontos Musso afirmou que tratam-se de ações concretas “que precisam ser tomadas para que esta oportunidade não seja perdida”.

AE – Agência Estado

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